Acordo, já pensando em que horas voltarei para a cama. Levanto-me com muito esforço, tomo banho para despertar, dou voltas e voltas pela casa a procura de objetos desnecessários ao momento. Alimento um hábito antigo, a "velha enrolação" e nem me lembro de tomar o café da manhã.
Vou ao colégio, encontro por lá várias pessoas com ânimo igual ou inferior ao meu.Um espaço inteiro a espera de energia e disposição.
Permaneço no colégio por quatro longas e curtas horas. Durante esse tempo fortalecem-se e quebram-se compassadamente ideais e convicções pouco fundamentadas. A cada aula, novas experiencias contrastam-se com repetições intediantemente necessárias.
(Im)previsível, fico irritada, alegremente sem noção , "estupidamente gelada". E tudo isso na tentativa de atingir o silêncio dos intelectuais (infelizmente, temporariamente não disponho de tal habilidade).
Em momentos de pensamentos espontâneos recordo-me de Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré... , que 30 anos antes do meu nascimento já tentavam romper através da música o silêncio instaurado pela ditadura que não É apenas militar, mas, fatalmente ideológica.
Esses intelectuais utilizavam-se do silêncio forçado, tinha-o como forma de inspiração e desabafavam o que estava reprimido.
Metaforiando :
" pai! afasta de mim esse cálice
pai! afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue..."
"Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão..."
Refletindo sobre essa época e seus personagens, expresso através da tentativa de silenciar-me, a necessidade eminente que sinto de encontrar motivos verdadeiros para sonhar. Como fez o personagem Dom Quixote capaz de transformar moinhos de vento em gigantes , plebéias em princesas...
"Que a inocência, essência do sonho, devolva..."
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